sexta-feira, 4 de julho de 2014

Entre a sombra de duas janelas

  Vejo borboletas através da janela de vidro , e tento acompanhar seus movimentos ágeis , mas elas são rápidas demais e o meu cérebro já não consegue captar as imagens com a mesma velocidade. Tento me imaginar como uma mariposa livre e... Então sou consumida pela escuridão , só sinto como se algo estivesse sugando todos os meus cernes e âmagos. A morte é tão fugaz quanto eu imaginava. 
 Acordo em meio a floreios e flashes de luz branca ultrapassando minhas pálpebras. Encontro-me em meio  a um lugar 'desconhecido , pálido e sem vida . Não sei o porquê , mas isso me lembra minhas ações e minha alma , sempre neutras e imparciais , deixando-me fora de qualquer julgamento. Apesar do desconhecimento inicial , vejo depois que esse lugar na verdade é meu ..Lar! Corro em direção  a porta da frente , e ao tentar pegar a maçaneta , minha mão a ultrapassa e não consigo abrir a porta para reaver tudo que perdi , tudo o que me tomaram . E agora aqui estou , um espírito  , num lugar onde a logística errada da Terra me trouxera . Minha garganta se fecha, como se fosse chorar . Espíritos choram ? Aparentemente não. A lágrima que eu esperava não desceu . Esta, que seria o símbolo do meu arrependimento não veio. A decisão que tomei , não pode ser tomada novamente, isso por que as pessoas que tinham que ser beneficiadas já foram e as que foram prejudicadas também. Por uma súbita e inesperada oportunidade que me apareceu e pela inexperiência de uma mente jovem e insana. É visível que não há mais o meio termo , apenas o certo ou o errado . Amor ou ódio, paz ou guerra. Só que a minha escolha me trouxe até  a neutralidade , me trouxe até a ...Sombra.

 CONTINUA...


POR JÚLIA VALVERDE

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